Domingo, Outubro 09, 2005

Medo


Caminho por rumos que desconheço, partilhando cores que nasceram em mim, mas que não identifico… Sinto o mesmo velho sentimento comigo, mas algo se apaziguou, talvez se tenha conformado, não sei…Os passos são lentos, mas fortes, a força que á muito me faltava estava guarda e não me abandona agora.
Ainda me custa olhar o teu sorriso e não tocar teu rosto, mas o facto de me impedir a mim mesma de o fazer torna o meu coração mais quente, como se tomasse a decisão correcta, afinal á muito que descobri que esse passo apenas me iria magoar a mim mesma.
Deixei-te no teu mundo, sei que ajo correctamente, mas no fundo trago-te comigo, por saber que sou tua em alma… Vejo outros olhos se aproximarem, tentarem alcançar este sentimento, reduzi-lo, asfixia-lo, mas não o conseguem… As vezes pergunto-me se são eles que não conseguem ou se sou eu que neste amor cego que tanto durou, que não deixo… As vezes pergunto-me se não fui eu que criei como meta...Tu…e ao não te ver reflectido neles, criou um muro a minha volta…impeço-os de alcançar-me…
Sei que é mais que isso… Sei que aprendi o que quero quando alguém me ama, aprendi o que tem de me fazer sentir, o que deve despertar em mim, como tal, apercebo-me de forma rápida, ou enganadora, que eles não serão capazes… Século errado este, em que tudo é feito a velocidade da luz, quando o amor caminha devagar… Fiquei presa numa época em que o amor se fazia num olhar, num toque de mãos, e em que a espera para um prazer mais carnal era infinita quando se amava… Agora tudo se troca, tudo se quer, tudo se pede… Nada se cativa, nada se mima, ou encanta… Tu encantavas-me, mesmo naquele vazio que eu sentia, mesmo naquela falta que tinha, tu sabias jogar esse meu jogo…Fazer-me sorrir…
Pergunto-me quem terá de se adaptar, se eu a este mundo, se alguém que me ame a mim...Perguntas, sentimentos, dúvidas…Tudo comigo… e tudo comandado por uma só palavra…Medo…